Interdito no Perpendicular Res Pública – 14/05/2011

May 20, 2011 § Leave a comment

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Diálogo com outros sentidos.

Performance Interdito, de Tábata Costa durante Perpendicular Res Pública, evento de ações e performances, em 14 de maio de 2011, nos jardins do Museu da República, Rio de Janeiro – RJ.

FLYER_PERPENDICULAR_RES_PUBLICA

Realizacão: Wagner Rossi Campos

Produção: Eloisa Lemme

Agradeço ao Wagner, à Elô e família e a todos que interagiram, deram suporte e tiraram fotos.

Sinopse:

A performance começou como um grito mudo, em que os sentidos do corpo são tratados como feridas. Esse curativo também bloqueia a visão e a fala. Quis interagir cega e muda em espaços fechados e públicos com circulação intensa de pessoas, arriscando outras comunicações e outras expressividades.

Isso passou a ser também uma experiência sensorial, já que tenho que estar com a audição, o tato e o olfato mais atentos, e todos os outros possíveis sentidos que são despertados depois de algumas horas. Diferentes intenções das pessoas que interagem com uma pessoa num estado fisicamente vulnerável também vêm à tona.

No caso do Perpendicular Res Publica, para onde vai uma pessoa cega e muda buscando alguma forma de contato no espaço público que é o entorno do Museu da República?

Em nosso contexto político e histórico, a coisa pública (res publica) não é de fato plenamente compartilhada com a população, nem sequer nossos direitos básicos são bem atendidos com recursos que deveriam ser públicos. Ainda estamos cegos? Ainda estamos mudos? Alguns agem pensando nos direitos de todos e ainda são violentamente reprimidos pelo poder público, alguns acreditam que sua forma de agir é mais importante do que qualquer outra, alguns agem apenas pensando em garantir recursos para si, muitos não agem, muitos não querem enxergar. Temos que lembrar todo dia que a vida é inevitavelmente influenciada também pela forma como fazemos política ou deixamos passivamente que a façam por nós.

E até que ponto nós estamos dispostos a perceber, sentir, ouvir o outro?

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PATÉTICOS EMOTICONS

October 19, 2010 § Leave a comment

Exercício de expressividade digital.

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VOCÊ ACHA QUE “BLASÉ”, “CARA DE BUNDA”, “CARA DE FOME”, “CARA DE C*” ETC, SÃO TUDO A MESMA COISA?

OOORA TALVEZ NÃO ESTEJA OBSERVANDO MUITO BEM.

SÃO MUITAS AS POSSIBLIDADES. ESCOLHA A SUA!

(*.*)

(*,*)

(*-*)

(*_*)

(¨.¨)

(¨,¨)

(¨-¨)

(¨_¨)

($_$)  – Assim vai chamar muito a atenção, seja mais discreto.

(+.+)

(+,+)

(+_+)

(#.#)

(#,#)

(#_#)

(@_@)  – Há muito conteúdo nesse olhar, cuidado.

©_©

®_®

Θ_Θ

Ø_Ø

Φ_Φ

φ_φ

Ф_Ф

(ºoº)   – Está expressivo demais.

~~ BRINDE :: LIBERDADE DE EXPRESSÃO!~~

– TEMOS OPÇÕES QUE NÃO ACABAM MAIS:

(“.“)

(“,“)

(“-“)

(“_“)

(“__“)  – King size.

(`.`)  (´.´)  (`.´)  (´.`)

(`,`)  (´,´)  (`,´)  (´,`)

(`-`)  (´-´)  (`-´)  (´-`)

(`_`)  (´_´)  (`_´)  (´_`)

(`__`)  (´__´)  (`__´)  (´__`)  – King size.

(`=`)  (´=´)  (`=´)  (´=`)

(;_;)   – Muitas lágrimas, assim não vai ser levado a sério.

(;__;)   – Menos ainda.

(::|__|::)    (::|__|::)

……..(::|__|::)……..        – Isso lhe cai muito bem!

😐  – Máscara pronta? Tá ótima! Onde você comprou?

Três sábios macacos

October 18, 2010 § 1 Comment

Diz a lenda…

… (e a Wikipédia) que os Três Macacos Sábios decoram a fachada de um antigo templo sagrado no Japão.

Antes de serem veementemente relacionados com a famigerada postura “em cima do muro” em nossos tempos, os três macacos sábios eram uma metáfora de negar o “mal”. Não olhar o mal, não ouvir o mal e não falar o mal. E somente assim o “bem”, a “paz” seriam possíveis. Em outras palavras: não perder tempo com besteiras.

Mas talvez isso seja zen demais para os nosso tempo/espaço.

Foto: Copyright © 2003 David Monniaux

ORELHÃO PARA SURDOS

October 15, 2007 § 1 Comment

“vedo tudo
boca, olhos
não como não à visão
como o que não quer ver
é que me fere
sorria, você sorria está sorria sendo sorria ferido
eu me protejo, auxílio
me ferem pessoas, coisas e as coisas das pessoas
são muitas coisas

a demasia me fere e eu faço o curativo
é um bloqueio que se faz imperativo

é pra não entrar esses insetos
um besouro pelo olho pode trespassar até meu cérebro
na veloz cidade, sabe?
uma mosca pela boca aberta pode zunir até o pulmão
moscalibre, mosca bala, sabe cabala “vamos acabá-la”, maquinação?

fico assim

não de nóia
é mais como entrever pela clarabóia

porque a tampa deixa o escuro do poço
tampa mas também expõe até o osso

fico assim

antinsético
cético

um grito cego mudo
de que já vi isso tudo

não acredito
nem credito
não absorvo
o embaraço de não querer o bendito
comportamento estorvo

a pior negação é a do cego mesmo
mas eu não sou cego, eu só nego
sonego impostos e impostores impostados
de almas/imóveis e seus corretores

e no mais, funciona em mão dupla
contém as lágrimas do chorar de rir do que não tem graça nenhuma
também as lágrimas de crocodilo e as de sangue cristão
aquele de falsa compaixão, misericórdia ególatra mesmo

vedo tudo
boca, olhos
não como

me fere e as vezes eu sumo
mas também não arrefeço, apareço
é que do que aqui se vende, não consumo”

Poema de Vinícius Alcadipani, parceria a partir da performance, impresso nos lambes da foto.

Foto: Tábata Costa/ Tábato Casta.

* Orelhão, em algumas partes do Brasil, é o apelido dos telefones públicos devido ao seu formato.

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